Terça-feira, 15 de Novembro de 2005
Délfica, de "As Quimeras" de Gérard de Nerval

                                      Nerval

Volto às Quimeras de Nerval, agora com um poema que não é mais que a variação do poema do país dos limoeiros, de Goethe, que traduzi há algum tempo atrás.


Lembras, Dafné, a antiga canção,

Junto ao cipreste, sob alvo loureiro

Oliva, murta e tremente salgueiro,

- Canto de amor sempre em ressurreição?

 

Não vês do sacro peristilo, o vão,

Limões acres que marcavas c’ os dentes,

Mais a cova, fatal aos imprudentes,

Da seme antiga do caído dragão?

 

Voltarão os Deuses que agora choras

Voltará a lei das antigas horas;

A terra ofega, exala profecia...

 

Mas a sibila de rosto latino

Dorme sob o arco de Constantino

- O austero pórtico nada indicia.

 

 (Gérard de Nerval, "As Quimeras" - versão de Manuel Anastácio)

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publicado por Manuel Anastácio às 22:14
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