Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Poemito e saravá. Saravá é baiano?

Gláucia tocando piano.

Oxente!...

Tá bom de mais!

 

Quanto ao Messias de Handel (desculpem-me, mas não tenho tempo de pôr os tremas sobre o a: o meu teclado é europeu e vimaranense mesmo)... Vou só lembrando que um dia escrevi algo sobre o assunto. Não é nada de mais. Mas é sempre qualquer coisa. E assim, digo que estou vivo e que vos agradeço do fundo do meu coração pelo facto (sim, Gerana: o acordo ortográfico ainda não foi implementado por aqui) de o meu blogue continuar vivo, mesmo sem eu participar. Oxente!... Com comentadores destes, para que sirvo eu?

 

POEMITO

 

 

Senta-se ao piano.

Tremem as mãos,

O olhar desce.

As teclas, desconjuntas,

Trocam o silêncio pelo exercício.

As mãos tremem.

Os olhos descem.

A música repousa no papel

E faz nascer infernos

E desejo de silêncio

No ar dorido.

A menina senta-se ao piano

E no tempo interrompido

Pelo rasgo dos dedos enregelados por arritmia,

As suas mãos procuram apenas a brisa intangível

Onde desliza, na cor dia, de uma asterácea,

 A branca, breve e leve semente da mais secreta

E intocável

Melodia.

publicado por Manuel Anastácio às 23:45
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9 comentários:
De Gerana a 16 de Janeiro de 2010 às 00:43
Beleza o "Poemito", embala qual uma doce melodia.

Saravá, meu pai é o equivalente a Graças a Deus. É uma exclamação da Ubanda. Só sei isso. Sou católica, totalmente ignorante quanto ao ubandismo, apesar de ser baiana. Aqui há as festas sagradas e profanas em total harmonia, o tal sincretismo religioso.
De Anónimo a 16 de Janeiro de 2010 às 14:15
Continue, pois as suas palavras são (quase) sempre um regalo para quem as lê.
De Manuel Anastácio a 16 de Janeiro de 2010 às 15:29
Há que enfrentar de frente o quase...
De Manuel Anastácio a 17 de Janeiro de 2010 às 00:14
Ui, que pleonasmo este...
De gláucia lemos a 16 de Janeiro de 2010 às 17:45
Saravá meu pai! que agora estou ao piano do Da Condição humana! Oxente ! é prestígio ou não é? Saravá é saudação aos deuses da umbanda , na Bahia estendeu-se de tal modo que até se usa de maneira um pouco lúdica: você encontra um amigo querido que não vê há tempos, ou que lhe traz uma boa nova, e logo o saúda: Saravá !! As religiões (exceto a dos protestantes) se mesclam, sabe, o catolicismo herdamos dos portugueses, a umbanda herdamos dos africanos, e ao fim, somos uma mesclagem de todos culturalmente. Mas conservamos a raiz da nossa fé eu sou católica e não tenho ligação com umbanda , até tenho medo desses deuses que encarnam nos rituais deles. Não excluimos as pessoas mas a maioria dos católicos não se envolve. O POEMITO , MAIS QUE UM POEMITO , É UMA CANÇÃO. APOSTO QUE VOCÊ PODE TIRAR A MELODIA NO SEU TECLADO EUROPEU. LINDO DEMAIS! A MAIS SECRETA E INTOCÁVEL MELODIA!!! Um beijo. Gláucia .
De glaucia lemos a 16 de Janeiro de 2010 às 18:30
Oi Manuel, ainda Handel : corri a seu artigo sobre Handel , mencionado na resposta a meu comentário. Lá está, grande, muito bom, datado de 2008. Em 2008 eu ainda não tinha visitado seu blog. Estou perdoada por não tê-lo lido. Mas é grande coisa sim. Um belo texto. Atrasadamente felicito-o por ele. Teria sido um excelente motivo para me refrescar a memória sobre o compositor, sobre o qual não tenho lido há muitos anos. Preciso retornar às coisas que estudei na infância, para despertá-las do arquivo no qual permanecem adormecidas, suplantadas pelas outras coisas que tive que aprender depois. Quanto perdi por não haver conhecido Da Condição Humana há mais tempo! Mas vou indo. Saravá! A propósito: Vinicius de Morais tem uma canção que começa assim: Boa noite pra quem é de boa noite! Saravá pra quem é de saravá Somos dos dois? Beijão Gláucia
De Manuel Anastácio a 17 de Janeiro de 2010 às 00:16
Sim, lembrei-me exactamente de Vinicius... Beijão.
De Bia a 22 de Janeiro de 2010 às 21:06
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De Maria João a 23 de Janeiro de 2010 às 11:28
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