Domingo, 4 de Outubro de 2009
O que diz o Mies sobre as sondagens

O Mies (também conhecido como o gato que não é de Schrodinger, porque o tempo da escravatura já passou) é de opinião que as sondagens valem o que  valem e o que conta são os votos nas urnas, porque os  votos que caem no chão, se germinarem, só darão fruto mais tarde e, provavelmente, com bicho. Diz ainda que o medo daqueles que são vencedores nas sondagens é justificado. As sondagens não são mais que observação sobre um sistema ainda mais aleatório que a nuvem electrónica em volta de um núcleo atómico. Ora, a observação de uma variável do sistema altera-o por completo, movendo para a absoluta incerteza as outras variáveis que não estão em observação, o que torna absolutamente imprevisível o comportamento posterior do sistema. Contudo, há motivos para crer que haja uma certa tendência circunstancial para que as sondagens provoquem um efeito de simetria reflexa que deturpa as reais escolhas do eleitorado. Por isso, está a estudar um meio místico e cibernético de democracia em tempo real, em que os governos se sucederão, na hora, de acordo com a soma das auras, que contarão como votos, o que resolverá também o problema da abstenção, embora permaneça a possibilidade do voto em branco. A possibilidade de um conflito entre a vontade de agora com a contravontade de daqui a pouco, devido à sucessão demasiado rápida de governos que não conseguirão aplicar qualquer uma das suas ideias, se tiverem tempo de as ter ou de as ajustar às novas realidades, poderá transformar os governos em ondas que se poderão anular, levando à anarquia. O que, diz o Mies, será um bom começo de qualquer coisa. É tempo de afirmar que as pessoas são mais importantes que as políticas, ao contrário do que a eminente aventesma disse há uns tempos atrás, ainda que não se possa fazer uso político da afirmação, já que no contexto em que foi proferida tem consistência interna suficiente para ser tolerável num discurso que, no seu todo, é intolerável - logo, mais importante que a pessoa que o tem proferido.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:25
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2 comentários:
De Gerana a 5 de Outubro de 2009 às 01:31
Que fofura o seu gato!
De Gerana a 5 de Outubro de 2009 às 01:35
Que fofura o gato!

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