Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
..., acordei assim.

Fotografia minha, de uma cabeça de gato, de Rafael Bordalo Pinheiro, no Museu do Douro, Peso da Régua. Foto ilegal, mas tirada sem flash.

 

Não há maior doçura nem maldade
Que a auto-sustentada verdade
Cartesiana
Deste réptil de pêlo nervo em franja,
Unhas retrácteis, gestos fáceis e nervos como luz.
Não há maior doçura em outros dedos,
Se dedos forem, como estes:
Facas. Fuzis.
Ausência de ardis
E plena sinceridade de emboscada.
Desliza com augúrios de avidez
E traz no olhar, espelhada em prata,
A própria doçura da escuridão.
Desliza na doçura da maldade
Da sua negra iniciativa
Própria de certas aparições
Que imprimem em carne viva
A marca ocre de quem brinca à morte,
Com a mais escura das seduções.

 

Poema tirado do baú, velhinho, mas com algumas alterações.

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publicado por Manuel Anastácio às 00:40
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5 comentários:
De Gerana a 30 de Setembro de 2009 às 03:29
Ótimo, como sempre.
De Maria Helena a 30 de Setembro de 2009 às 08:26
Tenho saudades das suas intervenções, Gerana!
Um abraço bem apertado para si.

(E sim, o poema é bom)
De Gerana a 1 de Outubro de 2009 às 02:10
Eu continuo lendo seus comentários, Maria Helena. Só não comento quando não posso por serem questões políticas de um país que não é o meu: eu respeito muito isso. A pessoa de fora não tem capacidade para avaliar nada de outro país, não é verdade? Mas, sigo lendo vocês, sem dúvida. Gosto muito de ambos, de MA e de você: temos os três o mesmo santo (é uma força de expressão que usamos por aqui para quando as pessoas se gostam). Beijo grande, Maria Helena.
De Maria Helena a 1 de Outubro de 2009 às 23:25
Ter ficado a saber, logo hoje, que os três temos o mesmo santo foi lembrança vinda do céu (não, não sou dada a santos, mas não resisto ao Francisco e à pequenita Teresinha).
Hoje é dia de Teresinhado Menino Jesus (se preferir, Teresa de Lisieux), a santa da pequena via, da simplicidade e do exagero (digo eu) porque das várias coisas que ela escreveu que são motivo de, pelo menos, alguma reflexão, esta agrada-me sobremaneira:
"Não quero ser Santa pela metade, escolho tudo".
Gosto de pessoas assim, determinadamente exageradas.
Exageradas na amizade, na lealdade, na generosidade, na simplicidade, na paixão pelos outros e pela vida.
Como já disse, querida Gerana, a ideia de termos o mesmo santo enche-me a alma do perfume das rosas.


De Gerana a 2 de Outubro de 2009 às 02:29
Que lindo isto, Maria Helena: "encher a alma do perfume das rosas". E como você citou Santa Teresa de Liseux e depois falou de rosas, vou procurar a oração de Santa Teresinha das Rosas. Nada é mais belo que uma oração. Por ela, coloco até a literatura em segundo plano. E sigamos, então, aqui nos encontrando, proporcionando ao nosso santo tal troca de palavras com afeição no coração. Grande beijo.

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