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Sábado, 26 de Setembro de 2009
Prêto

 

 

Aparecem estes azulejos à entrada de um restaurante em Peso da Régua. Fico com algumas dúvidas . O que é que é, aqui, preto? O Bar? Nesse caso há um bar branco, ou o branco é o vinho que se bebe no Preto? Deve ser isso. Um dia experimento e depois digo.

 

Hoje, creio que vou celebrar a perda da maioria absoluta do PS e a subida do Bloco com um Porto branco fresco que anda estagnado no frigorífico há semanas. Sei que nada é brilhante neste país de negruras atávicas. Nunca cheguei a declarar aqui as minhas intenções de voto. Muitos dos amigos que mais prezo são de outras paragens políticas e respeito-as a todas, ao contrário do que um tal de Manuel Sampaio, lacaio ideológico da repressão socrática (talvez mais por ignorância quanto àquilo que defende que por maldade), veio aqui proferir nos seus clarividentes comentários. No dia em que tirei a fotografia aos azulejos do Bar Preto estava na companhia (além da minha esposa que, em grande harmonia cromática, é tão ovelha negra quanto eu) de duas ferrenhas apoiantes das políticas socratóides. E eu, e a minha esposa, cruéis marxistas-leninistas-estalinistas-trotskistas-maoístas, de tendências incendiárias e bombistas, talvez ruminássemos em que monumento nacional é que poríamos pneus a arder durante essa noite, em conjunto com algumas luzes esteticamente irrepreensíveis de cocktails molotov que comporiam as maravilhas das nossas pupilas retino-gustativas de lobos disfarçados de ovelhas. Corre a ideia de que o Bloco de Esquerda é um grupo radical. É-o, com certeza. Nada há de mau em ser radical, quando se defende o direito à liberdade, à justiça social e à solidariedade. O Bloco de Esquerda com que tenho contactado não é o Bloco de ferozes devoradores da liberdade de expressão decalcados dos Chávez (esse que pede aplausos para o seu amigo português que, não, não se chama Francisco Louçã). Há aqui e ali alguns trotskistas-maoístas - sem dúvida que os há, mas serão ainda mais residuais do que no PS de Sócrates. O PS de Sócrates é um partido de puro culto do líder, característica clara dos totalitarismos com que se quer pintar, de negro, a cara dos bloquistas. Ora, em verdade vos digo que o Francisco Louçã é para os bloquistas alguém que se admira mas que não se venera. Basta-me isso para não ter medo destes desgrenhados revolucionários que querem nacionalizar tudo e enterrar o país na fome das albânias e na repressão dos gulags, segundo os direitistas-socratóides. Destes desgrenhados a que pertenço com orgulho. Parece que o PP de todas as demagogias ultrapassou o Bloco. Era de esperar. É negro o horizonte deste país entregue às mentiras e às quezílias dos interesses privados. Ainda assim, algo se ganha hoje. Há algo de luminoso numa estrela, sobre o fundo negro com que os gatos negros do azar se vão lambendo, no cio, entre gemidos de sedução e de mentiras...

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publicado por Manuel Anastácio às 17:43
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2 comentários:
De Maria Helena a 27 de Setembro de 2009 às 22:12
Os gatos não merecem a comparação. De certeza.
Imagino-o a si e à sua mulher raridades ovinas preciosas, astrakans do Norte :-)))

Como alguém perguntou: a Sacerdotisa da Ignorância continuará na Educação (atenção, também não sou Prof!)?

Manuel, deixei de me interessar pelos resultados eleitorais(,votar é respeitar a memória das sufragistas, no meu caso), mas continuo empenhada nas consequências dos actos eleitorais.
Cada vez mais acredito que a mudança está no coração de cada um; sou péssima em política partidária.
Como dizia C. Péguy "Tudo começa na mística e termina na política".
Gosto da luminosidade das estrelas.
De Manuel Anastácio a 27 de Setembro de 2009 às 23:45
Olá, Maria Helena, amiga, camarada, brilho de estrela. Vou tratar, amanhã, de nacionalizar um volume de "Nos Mares do Fim do Mundo". Quanto aos gatos, não ligue: tenho um, cor de laranja (muito PSD, um reaça desgraçado que deve ter votado no PP por causa do rendimento mínimo garantido, enfim... eu bem tento ensiná-lo a fazer cocktails molotov, mas ele não quer...) e sei que são bichos bonitos... mas olha que bondosos é coisa que não são... egoístas como o diabo e chatos como a potassa... mas que seduzem, seduzem... o raio daqueles olhinhos e daqueles gemidos... são forças da Natureza, sem dúvida, muito ao jeito daquelas que Bernardo Santareno poeticamente dissecou.

A Sacerdotisa da Ignorância será, obviamente, substituída pela Isabel Alçada. Vamos lá ver que "uma aventura" é que vamos agora, em delírio, entrar. É outra cara... Mas tendo em conta que já conheci a sua amiga Ana Maria Magalhães, que respondeu às perguntas dos meus alunos como quem debita, sem emoção, um rosário, pouco me alegra a mudança...

A mudança está, de facto, nos corações. É por isso que entro nas listas do Bloco de Esquerda da Câmara de Guimarães. Porque ombreio, lá, com pessoas que acreditam na mudança pela bondade e pela tolerância, ao contrário do que a direita e o PS tenta vender, como se esta gente com brilho nos olhos fossem perigosos revolucionários franceses a limar o gume das guilhotinas.

"Tudo começa na mística e termina na política"... Há coisas que terminam no começo.

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