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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Da tromba da Ministra

Alguns lambe-botas do socratóide-socialismo têm rondado, quais abutres, as minhas paragens de pouco pouso político. Vê-se que são finos. Escrevem "derrepente", tão "derrepente", que não lhes pára a mente um segundo para aprender a escrever. Tenho indícios de que poderão ser da escola de Margarida Moreira e partilham com ela o manual de boa conduta que consiste em estender a mão para a frente, com a palma virada para o chão, frente às mentiras e à falta de vergonha de uma ministra que, tendo feito merda na educação, tenta a todo o custo vender a ideia de que nunca as escolas funcionaram tão bem. Não vou dizer que a escola, antes, funcionava bem. Era preciso mudar práticas. Era preciso exigir mais dos professores. Mas exigir mais trabalho a sério. Mais qualidade no seu trabalho efectivo, e não no fogo de artifício com que legitimarão as subidas de carreira de pessoas que apenas o farão graças à sua capacidade de moldagem aos poderes de "liderança" com que se mascara uma escola cada vez menos democrática e onde não serão os melhores a serem beneficiados pela avaliação, mas aqueles que sabem vender a imagem de serem melhores. Vivendo eu neste atoleiro, só posso usar esta linguagem que choca os ouvidos destes socialistas de sacristia que não podem ouvir que a sua ministra, cornucópia do seu maná diário (e futuro), merece um chapadão na tromba. Chapadão verbal apenas, meus caros, não temais pela integridade física da senhora das trombas. Estes senhores ficaram chocados por eu, professor, usar de tal linguagem imprópria. Pois, em verdade vos digo que isso de linguagem imprópria não existe. Até as palavras grosseiras são filhas de Deus, mesmo que sejam, ao mesmo tempo, filhas da Puta. As palavras grosseiras são como as caretas com que as crianças expressam as suas dores. São grosseiras porque não podem ser finas. São grosseiras porque não se amarram angústias com teias de aranha. São grosseiras porque têm a força sagrada de serem proibidas. Digo que esta ministra tem tromba, mas podia dizer pior. Podia dizer pior. Podia, por exemplo, dizer aquilo que agora mesmo apaguei com um "delete". Apaguei, porque vivo num país onde os socialistas de sacristia acenam com as garras do medo, enquanto se embebedam com o vinho conspurcado por missas negras, rondam como carraças aqueles que se indignam contra a mentira e a desfaçatez de uma megera que, ao mesmo tempo que calca os professores com o sadismo satisfeito de um cilindro compressor, inventa supostas melhorias no ensino e elogia hipocritamente o trabalho desses mesmos professores, de forma a passar a ideia de que agora, sim, aqueles calões estão a trabalhar - e que foi ela, mais os Libânios, Moreiras e afins, que os vergaram ao trabalho duro. E, ao mesmo tempo, lhes negam a justiça de um reconhecimento de acordo com o seu trabalho, ao mesmo tempo que abrem de par em par as portas do topo da carreira aos amigalhaços que rezam o terço a Santa Maria Lurdes e ao Deus Pai José, em procissão com líderes, directores e gestores amarrados aos cordelinhos das conveniências. Sou professor. Sou uma pessoa. E o meu vocabulário, perdoem-me a falta de modéstia, é muito acima da média daquele que é usado por Libânios, Moreiras e afins. Mesmo que eu me socorra, por vezes, do calão e de expressões consideradas baixas, por considerar que a liberdade de expressão tem mais valor que a vassalagem indigente daqueles que vivem da burrice de um povo que convém manter lerdo e submisso, com professores que só utilizam (mesmo num blogue pessoal - não falo da sala de aulas) o vocabulário certificado pela Direcção Regional de Educação.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 00:39
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8 comentários:
De Maria Helena a 23 de Setembro de 2009 às 07:36
Ao ler os comentários que deram origem a este seu post, vieram-me logo à memória as palavras e um outro poeta (Daniel Faria):
[...]
Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
[...]

Mais um post de antologia.
Continuação de boa semana.
Beijo.

De artur a 23 de Setembro de 2009 às 19:49
estás em guerra, vejo... boa caçada!
De Manuel Sampaio a 24 de Setembro de 2009 às 21:57
Peço desculpa. Vou voltar com a palavra atrás. Vou acrescentar o seguinte:
O seu ódio é tanto... É tanto que já não atinge (melhor, já não tinge) só a ministra e já se derrama e alastra, como uma marés negra, por aqueles (colegas seus) que no uso daquela mesma liberdade com que o senhor se serve para se atirar à ministra como um gato ao bofe, estarão, julgo eu, (a crer apenas no seu ódio...) de acordo com a política da ministra. É eloquente o seu grau de tolerância. É eloquente o seu respeito por opiniões dissonantes da sua. É, acima de tudo, eloquente a sua ética para com os seus colegas. Se os professores não se respeitam entre si como esperar que os alunos os respeitem? Os sucessivos ministérios têm graves responsabilidades na desautorização dos professores e no consequente clima de indisciplina dos alunos. Mas os professores como o senhor não escapam igualmente e essa responsabilidade. Tudo em si é muito eloquente. Mas está enganado, meu caro: Eu não sou, sequer, professor. Sou um simples empregado bancário reformado que tem por pecado pensar pela sua própria cabeça. Acresce que fui aluno durante alguns anos e há uns tempos, já largos, sou também pai de dois alunos (um no 3º ano faculdade e outro no 12º ).
Por via disso e pela cidadania de que não abdico de exercer, estou atento ao que se vai passando no país e tenho opinião (embora modesta) sobre o que se passa no país. E, sacrilégio dos sacrilégios, estou de acordo com algumas (sublinho algumas) políticas da ministra, entre as quais, sacrilégio maior, a da avaliação dos professores. Essa mesma... essa que lhe faz verter tanto ódio e lhe faz toldar, surpreendentemente, a razão. Não há grande mal nisso, esteja tranquilo: o ódio e os seus derivados são também da condição humana. Estando de acordo no todo não significa que esteja de acordo com tudo. Por ex.: rejeito qualquer participação de alunos ou de pais de alunos no processo de avaliação de professores e rejeito, igualmente, o excesso de burocracia. No entanto e por muito, por muito que lhe doa, já estou totalmente de acordo com as “famosas” quotas na avaliação. Há vinte anos que eu, no Banco, estava sujeito a elas. E pasme-se: elas condicionaram a minha progressão na carreira. E é assim que deve ser. Faço-lhe uma pergunta: Em 35 anos quantos de democracia quantos excelentes ministros de educação este mesmo país de 10 milhões de habitantes pariu? A crer nas manifestações de professores e alunos que durante anos a fio desfilaram (e ainda desfilam) pela Av. 5 de Outubro, nenhum!!! Por que razão é que num quadro de 40 ou 400 professores há-de o país parir 40 ou 400 professores excelentes? Qualquer espírito minimamente científico sabe que hoje em dia é possível sem grande margem de erro ponderar a percentagem de excelentes ou péssimos num determinado quadro. E também todos sabemos que não há sistemas de avaliação perfeitos. É da condição humana. O que não vale é aproveitarmo-nos (é oportunismo se o fizermos) da impossibilidade de um sistema perfeito para não quereremos nenhum sistema. Ou então quereremos um sistema que avalie todos por igual. E hoje, como é sobejamente conhecido, não há nenhum sistema de avaliação sério sem quotas – percorra as grandes empresas cá dentro e lá fora e, e já agora, as universidades lá fora. Essa é que essa. E essa dói-lhe. Ou tem medo?

Numa coisa tem razão. Estou a mais neste seu atoleiro.

Manuel Sampaio
De Manuel Anastácio a 24 de Setembro de 2009 às 22:56
Se é atoleiro, seria bom que saísse quanto antes, antes que fique enterrado na lama.

Contudo, ainda que não concorde consigo em muitos pontos, congratulo-me por ter-se dado ao trabalho de discutir, apresentando ideias, em vez de seguir pelo caminho fácil dos chavões "com professores destes..." quando não sabe que tipo de professor é que eu sou.

Tenho ódio por esta ministra, sim. E os professores que estão de acordo com esta senhora (eu não conheço nenhum, mas vou sabendo pelos jornais que existem dois ou três), merecem-me todo o respeito por defenderem as suas ideias, mesmo que eu não concorde com elas.

Repare, por exemplo, que no post onde se insurgiu contra a minha linguagem, eu não estava a falar da avaliação de professores, mas da mentira descarada e vergonhosa com que esta ministra tenta vender a imagem de que agora a escola está melhor, quando não está. E acredite que a culpa não é (principalmente) dos professores.

A avaliação dos professores é um assunto complexo que merecia um pouco mais de atenção por parte de qualquer ministro. Esta ministra quis impor um modelo de avaliação onde os professores são avaliados por outros professores designados para o efeito por meios que eles mesmos repudiam, avaliando-se, para o efeito, não o trabalho que os professores fazem com os alunos, mas o trabalho que os professores terão de fazer para vender uma imagem de bons professores. Creio que, jamais, algum modelo de avaliação será consensual. Mas é certo que este modelo é consensualmente mau. Só concorda com este modelo quem não o conhece ou quem sabe que lamber botas dá resultado.

Note, por exemplo, nos professores titulares que são actualmente os avaliadores. Serão os melhores professores? Subiram à categoria de professor titular pelo seu mérito? Sabe-se bem que não, mas pela antiguidade. Tantos professores que não quiseram ser titulares (até porque já eram suficientemente bem remunerados para o quererem) e foram-no à força. Obrigados a avaliar colegas sem o quererem, sabendo bem que, agora, ou são justos no seu trabalho, e caem-lhes os compadrios em cima, ou se resignam a serem subservientes, cortando à machadada aqueles que são excelentes mas que, por terem voz própria, e serem críticos, jamais serão beneficiados pelas pequeninas e mesquinhas estruturas de poder com que as escolas se irão abastardando cada vez mais.

Não concordo consigo quanto às quotas. Respeito-o por isso, como respeito todos aqueles que pensam de forma diferente da minha, desde que não sejam aldrabões, como esta ministra e primeiro ministro são, mas não concordo. Não posso aceitar que os professores de uma escola ou de turmas onde todos os alunos são filhos de médicos, engenheiros e advogados sejam considerados bons professores e tenham direito a mais "excelentes" enquanto que os professores a quem lhes calhar turmas com alunos indisciplinados, em que os pais os incentivam a serem maus (que há disso, acredite) sejam considerados "regulares" ou "medíocres" quando se esforçam muito mais e perdem noites de sono a planificar aulas que seriam geniais noutra escola ou noutra turma, mas que aqueles alunos desprezarão por completo, com ar de enfado.

Volto a dizer que me congratulo por decidido conversar, dialogar, em vez de, apenas, chamar-me nomes. Repare que se parece que eu fiz isso com a ministra no artigo anterior, não é assim de facto. Não era necessário comentar um artigo que falava por si. A falta de vergonha daquela coisa fala por si. Só quem foi devidamente enganado por ela (e há muita gente que o foi - as eleições daqui a uns dias o dirão, com a óbvia maioria do partido actualmente no governo) poderá acreditar naquele discurso de vómito.

Creio que estou a falar para o boneco porque creio no seu bom senso, e creio que já terá abandonado o meu atoleiro de vez.

Bem haja, e espero que, em voltando, volte com ideias e palavras justas, como fez agora, e não com as palavras de ódio (ou, pior ainda, de desprezo) com que me brindou no artigo anterior.
De Manuel Anastácio a 24 de Setembro de 2009 às 23:11
Ah: esqueci-me de lhe dizer: sempre houve manifestações de professores contra os outros ministérios antigos (sem grandes unanimidades). Mas creio que está mal informado quanto ao número de professores que apoiam este ministério. Os únicos professores que estão de acordo com este modelo de avaliação são residuais. E trabalham, directamente, todos, ou quase todos, para as respectivas Direcções Regionais. Efeitos da pirâmide do poder.

Eu sei que a Coisa vendeu bem a ideia de que os professores contestatários, toldados pelo ódio, reprimem aqueles que são a favor desta avaliação. Lamento informá-lo de que o contrário é que está certo. Nunca vi NINGUÉM, entre os meus colegas, a reprimirem ou a apontarem o dedo a quem não se tenha manifestado (o que não significa que estejam de acordo com a Coisa) ou que tenha entregue os objectivos individuais (o que também não significa que estivessem de acordo com isso - aliás, fizeram-no com medo, muito medo - e não era de bichos papões como eu, pode crer).

Sabe: eu até gostava que chegasse a ler, mesmo isto... Sei que já não voltará ao pântano deste professor calaceiro, mas até gostava de continuar a conversa, se de conversa se tratar, claro, e não apenas da defesa incondicional de aldrabões.
De Manuel Anastácio a 24 de Setembro de 2009 às 23:20
Mais ainda: nunca supus que fosse professor.
De BELA a 27 de Setembro de 2009 às 20:31
Olá pardinho, espero k estejas bem, tenho a dizer-te k eu e até o teu padrinho estamos completamente fans do teu blog.
O padrinho Papagaio vem dizer-me "Bela, Bela o que é que o Léi escreveu mais ?" Vês!!!
BJS e continua como sempre foste adoramos-te assim...Força!!!
De Manuel Anastácio a 28 de Setembro de 2009 às 00:31
Ora camaradas familiares... é sempre bom saber que alguém do meu "sangue" vai seguindo os meus passos e palavras com alguma atenção. Em breve falarei do pardinho Papagaio, da Ti de France, da Bela e do meu afilhado Miguelitas que vai crescendo sem que eu o saiba (como aconteceu da última vez em que com ele falei por telefone e já parecia um rapaz de outra idade... estou mesmo a ficar velho, não é?)... Beijocas grandes de quem vos ama muito.

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