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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
Vendo a noite por um canudo

A Nebulosa do Anel, como eu não a conseguiria ver, de qualquer forma, há duas noites atrás. Carregar na imagem para os devidos créditos.

 

As noites já não podem ser tão escuras quanto aquela que guiou a alma do poema de São João da Cruz. Não nas cidades. Quando, pequeno, tinha de seguir pelas Oliveiras entre a paragem da carreira, o fundo da estrada, e subir junto à mancha de pinheiros que ainda hoje se mantém imune aos incêndios que transofrmaram Carvalhal num enorme eucaliptal, sentia-me como a Branca de Neve a fugir aos ternos braços das árvores, transformados pela escuridão em monstros que sobrepunham sombras a sombras. Só o primeiro candeeiro da Rua da Glória me acalmava os passos. Mas aquilo que ilumina o chão tem o triste condão de apagar o céu à noite.

 

Ó ditosa ventura, a de ver claramente vista a estrada que seguia para Santiago e que, em certa parte bifurcava o destino das almas destinadas ao Paraíso ou o adiava no Purgatório... Ditosa a ventura de inventar constelações, não tendo eu livros de astronomia nem internetes que me ensinassem a distinguir Vega da Próxima Centauri. Ditosa a ventura de ver mais de quinze estrelas cadentes a riscar o céu numa só noite, deitado nos montes de caruma cheios de carraças da minha infância. Lembro-me bem de sonhar, à noite, num céu legendado, onde a minha imaginação acordada pelo sono dispunha as constelações como figurinhas perfeitas e luminosas a imitar os bonecos que enfeitavam os signos que a minha prima Donzília lia na Crónica Feminina. Hoje, quando chego a casa dos meus pais, invariavelmente à noite, no fundo da rua, entre os fatais eucaliptos que vão dar para os negrumes da Valada e do Cã das Bouças, onde dou a volta ao carro, saio por vezes para voltar a entrever um pouco desse céu, mas já não é o mesmo. Teria que me aventurar pelos caminhos agora cobertos de silvas e, reduzindo o meu horizonte a sul, entrever pelos ramos das árvores, esquecido das sombras, aquele pó luminoso que torna as noites escuras perfeitas imagens de felicidade. Basta um candeeiro para apagar o céu à noite.

 

Há dois dias atrás, fui fisgado de poder ver algo semelhante no alto do Bom Jesus de Braga. Prometeram apagar as luzes até à meia noite para que astrónomos amadores e profissionais me mostrassem, hoje, aquilo com que sonhava em criança. Ao chegar, julguei que me tivesse enganado no dia - na noite. Mas não. Os eventos culturais e científicos em Portugal têm este condão de se ofuscar perante as luminárias broncas das entidades que os promovem. Luz por todo o lado, a iluminar os hotéis a abarrotar de ricaços do futebol que não podem andar às escuras, não fossem ficar lesionados ao tropeçar numa pedrita da calçada. Os astrónomos  eram todos amadores - nem um profissional, ao contrário do que tinha sido prometido. Não que tenha qualquer queixa a fazer dos astrónomos amadores, simpáticos, pacientes e cujo brilho nos olhos apenas reflectia o das estrelas, não o obscurecendo. Não fossem eles e mais rota teria sido a iniciativa, apenas remendada pelo Coro Académico da Universidade do Minho, que, junto às estátuas da Fé, Esperança e Caridade encheram o espaço demasiado iluminado até que a EDP, finalmente apagou um terço das lâmpadas, incluindo as que iluminavam o Coro que teve, depois, de cantar sem o apoio de microfones e banda sonora adicional. Depois do recital, três astrónomos desiludidos pelo falso apagão, lá me mostraram os anéis de Saturno, a Nebulosa do Anel e, com uns raios laser todos catitas me foram apontando as constelações e as estrelas que teimavam em brilhar mais que o manto de escuridão luminosa que apagava por completo o horizonte sobre Braga (há quem se encante com as luzes das cidades, à noite...).

 

É triste dizê-lo. Mas nem para apagar a luz temos gente capaz. Proponho ao Engenheiro e à Doutora Milu que abram cursos das Novas Oportunidades para o efeito. O céu agradeceria.

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publicado por Manuel Anastácio às 16:51
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5 comentários:
De cduxa a 20 de Julho de 2009 às 20:25
Ter a oportunida de olhar para o céu e ver a nebulosa do anel (lembrando as pétalas de uma rosa cósmica), já valeu a pena, (assim como todas as memórias subjacentes que generosamente nos dá a partilhar...)!
De Manuel Anastácio a 21 de Julho de 2009 às 00:13
Infelizmente, a Nebulosa do anel que vi não se parecia tanto com a bela flor que acima apresento, mas mais com um vulgar donut ou uma rodela de fumo... Mas na mais simples imagem captada de um destes objectos, alheios às nossas vidas, há uma beleza indescritível exactamente por causa daquilo que não vemos. É como o peregrino que, chegando a Compostela, não vê as relíquias do santo, mas o relicário. Ou melhor: como o crente que vê num pedaço de osso ou de uma lasca de madeira algo que só remotamente alguma vez poderia estar associado a esse fragmento: a grandeza de alma e a proximidade com Deus.
De Silvério Salgueiro a 20 de Julho de 2009 às 23:38
Faz hoje quarenta anos que, depois de ver no café da Portela os homens na Lua numa TV alimentada ainda por gerador a gasóleo, procurei vê-los a olho nu no mesmo espaço de céu que recordas, e mesmo não havendo um só candeeiro a apagar o céu só consegui ver o homem com as silvas ás costas.
De Manuel Anastácio a 21 de Julho de 2009 às 00:07
Um comentário digno de uma antologia. Que posso eu dizer mais?
De Gerana a 21 de Julho de 2009 às 03:43
Sonho de uma noite de verão.

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