Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Um murro no estômago é como a lua a fazer caretas aos louva-a-deus

O túnel de vento de Totoro, de Joe Hisaishi (da banda sonora de "O meu vizinho Totoro)

 

A Anabela Lopes (autora de "Lua: A Princesa da Floresta Dourada", a quem estendo de bom grado o cachimbo da paz) passou por aqui e apanhou com o meu texto de ontem que... pronto, era um pouco violentozito. Mas eu tenho esse péssimo hábito de bater forte e feio em quem gosta de uma coisa tão sensaborona e deslavada como Paulo Coelho e de coisas tão adocicadas e enjoativas como da Danielle Steel. Mas vamos por partes: não é errado gostar de Paulo Coelho nem de Danielle Steell. Nesse sentido, gostos não se discutem. Mas os gostos podem-se discutir, e devem ser discutidos, porque é isso que torna a literatura, enquanto fenómeno social, divertida. Claro que não vou ler Paulo Coelho quando tenho tantos autores que me conseguiriam encher a alma e com tantos títulos à espera de serem lidos por mim: Torga, Bellow, Szymborska, Tolstoi, ui... Ler Paulo Coelho é, acima de tudo - para mim - um enorme desperdício de tempo e de vida. Mas isso é para mim. A Anabela (tal como grande parte dos meus colegas de profissão) gosta de Paulo Coelho. Ora, está entre a grande fatia da humanidade que torna este o escritor lusófono mais vendido de todos os tempos. O que - quanto a mim - é uma injustiça, mas eu não tenho nada que dizer sobre a justiça do que as pessoas gostam de ler. Ler é como fazer amigos - corrijo, é fazer amigos - e a maior parte das pessoas prefere amigos de fachada a amigos verdadeiros. Os amigos verdadeiros não são aqueles que dizem aquilo que queremos ouvir, mas aquilo que nos transforma, por dentro, em pessoas melhores (olha, assim até pareço o Paulo Coelho, ehehe). O que significa que, por vezes,  descobrimos que os nossos melhores amigos são aqueles que sempre julgámos que nos detestavam (olha eu a fazer de Paulo Coelho outra vez - bem diz o outro que os coelhos são piores que as moscas a reproduzirem-se). Um dia, reescrevi aqui no meu blogue um poema muito chunga ao estilo do Paulo Coelho (e a Gerana bateu, logo, certeira aqui no pobre do moço) que, a certa altura, dizia que o Amor é a mais escura via de comunicação. E é. O Paulo Coelho não escreve muitos disparates (escreve alguns, e de palmatória). Escreverá, com certeza, coisas acertadas. Coisas que parecem profundas. Mas há uma diferença entre a profundidade de uma gruta escavada pelo tempo e pelas águas e a profundidade aberta com a força bruta de uma broca. Paulo Coelho é uma broca. Mas avancemos: a Anabela apanhou um murro no estômago com as minhas palavras. Confesso que não era essa a minha intenção.

 

A Anabela diz que está a dar os seus primeiros passos na literatura... Eu discordo. Os primeiros passos na literatura são dados quando aprendemos a ler. E a Anabela (sei eu, que a ouvi) aprendeu a amar a leitura desde cedo. Isso é bonito. Mas quando diz que eu a julgo, já terei que concordar e discordar. É verdade e não-verdade. Eu julgo as pessoas por aquilo que lêem. Julgo-as enquanto leitoras, não enquanto pessoas. Fui tendo (e tenho) amigos que lêem Paulo Coelho e que sabem  que eu lhes reprovo tal gosto. Adoraria que eles chegassem ao pé de mim e dissessem: olha, hoje abri um livro do Coelho e apercebi-me de que aquilo é um hambúrguer do MacDonald's. O pior é que as pessoas gostam de hambúrgueres do MacDonald's (pronto, ou do BurgerKing, é-me indiferente). Eu julgo, sim, a Anabela por ler Paulo Coelho e por ler Danielle Steell. Não a estou a julgar como pessoa, mas como leitora (e, inevitavelmente, como escritora). Eu tenho que ter alguma razão para pegar num livro, já que tenho tantos à espera de serem lidos. Se eu tivesse todo o tempo do mundo, começava por ler Corín Tellado, mas eu não tenho todo o tempo do mundo. Por isso, e como sei que posso morrer amanhã ou daqui a um minuto, prefiro ler autores que me digam coisas que valham a pena. Ora, se o Paulo Coelho apenas diz coisas vazias disfarçadas de coisas profundas e plenas de significado (ai as vezes em que já vi pessoas adoráveis a ler excertos do Paulo Coelho com a lágrima ao canto do olho, à espera que eu ficasse também de lágrima no canto do olho... e apenas viram o meu ar snob e enjoado - não sou capaz de fingir adoração por coisas medíocres e mercenárias), o que é que a Anabela espera, que eu creia que gostarei de ler o "Lua"? Acredita que, se calhar, até vou gostar de o ler (que, agora, vou ler mesmo...), mas o cartão de visita não é muito convidativo. Eu tenho de julgar as coisas de acordo com aquilo que conheço delas. E tal julgamento não vai pôr ninguém na prisão, por isso, fico descansado.

 

A Anabela também lê autores "conceituados" como Eça de Queirós e José Saramago. Não sei bem o que seja isso de autores conceituados. Para mim, Eça e Saramago são dois escritores maiores. Se a Anabela os lê, ainda bem. Quem ganha, em primeiro lugar, é a própria Anabela, mas nestas coisas do gostar, fica-me sempre o travo amargo do Paulo Coelho... A Anabela diz ainda que é errado julgá-la como escritora pelo facto de gostar de ler Coelho e Steel, até porque eles não a influenciaram... Isso parece-me estranho. Os nossos escritores preferidos deviam ser aqueles que mais fortemente nos deveriam influenciar, fosse lá de que maneira fosse (nem que fosse pela via de não os querermos imitar). Não é errado ter uma ideia pré-concebida de um autor a partir dos livros que ele lê. Isso nem sequer é julgar! Um julgamento só pode vir depois das provas, e eu não as tenho porque não li o livro! Mas posso fazer uma aposta. Fazemos todos os dias apostas quando compramos um livro porque gostamos da capa ou do título ou porque aquela senhora com aspecto fino disse que o livro não presta (e nós, em espírito de contradição, vamos a correr a comprá-lo). Há sempre uma razão para pegarmos num livro antes de outro. Ouvir o autor a dizer que o seu autor preferido é o Paulo Coelho não me motiva a lê-lo. Se a Anabela tivesse dito J. K. Rowling, estaria já neste momento com o livro, autografado, na minha mesa de cabeceira.

 

Quanto ao murro no estômago: Anabela, eu não vou ser mais suave nas palavras a respeito de um escritor por ele ser jovem. Eu escrevi algo sobre uma impressão que tive. E, ainda por cima, incentivei as pessoas a demonstrarem-me o contrário, isto é, que o livro é bom apesar do meu preconceito. Repara que eu até me assumi como preconceituoso. Sim, tenho preconceito contra perfumes demasiado enjoativos. Tenho preconceito contra o sabor da papaia demasiado madura. E há mal nisso em dizê-lo num blogue público? Não, não há. A Anabela não pretende agradar a todos. E faz a Anabela muito bem, porque nunca o conseguirá. Mas não posso concordar quando diz que é de mau gosto eu manifestar-me aqui. Eu não falei com a Anabela pessoalmente, porque estava a trabalhar e não podia estar na amena cavaqueira. Mas é meu direito, enquanto leitor, e enquanto cidadão, pronunciar-me a respeito de questões estéticas. Se eu disser aqui que não gosto do Paulo Portas, nem do Sócrates (e não gosto nem de um nem de outro), eles não me vão aparecer aqui amanhã a dizer que eu devia ter falado com eles antes... É verdade que eles se estão nas tintas para a minha pequena pessoa, mas essa não é a questão: a Anabela fez uma coisa maravilhosa que foi escrever e editar um livro. Eu posso não ter gostado de a ouvir a citar tais nomes como escritores preferidos, estou nesse direito. E estou no meu direito de dizer e contar, e criticar, aquilo que ouvi num espaço público. Aceite o meu convite para o debate, defenda o Paulo Coelho e a Steel se assim entender, mas não fique magoada. Seja forte e não se deixe incomodar por palavras críticas. A Anabela diz que, em conversa à parte, teria oportunidade de se defender. A Anabela não precisa de se defender. Precisa apenas de aceitar o debate.

 

Vou terminar com mais um conselho que, vou ser sincero, não sei se é à Paulo Coelho ou não. Seria o conselho que daria a uma filha minha que estivesse na sua situação, perante um professorzeco que a estivesse a criticar pelos seus gostos e pela sua forma de escrever: Anabela, não tens que julgar que o murro no estômago te tornará mais forte. Não. Um murro no estômago é sempre uma violência que nos desarranja por dentro. Tenta, por outro lado, ver se este professor, que não conheces de lado algum, te queria dar, de facto, um murro no estômago. Acredita que não. Não precisas de concordar comigo. Não precisas de deixar os teus autores favoritos de lado. Não precisas de dizer que afinal gostas é de este ou daquele escritor. Não. Tens sempre de ser fiel a ti mesma e à tua razão. E sermos fiéis a nós mesmos inclui evoluirmos, darmos o braço a torcer. Ouvirmos os outros e aprendermos com os outros. Não devemos, jamais, aceitar murros no estômago. Deves, antes, pelo contrário, ignorar aquilo que for dirigido para ti na forma de ataque pessoal (assim, o murro passa ao lado) e aprender algo com a visão dos outros. Podes até nem concordar com aquele crítico, nem terás de concordar: o importante é que tentes ver o que ele quer dizer. E, depois, aproveita aquilo que te ficar entre as mãos. O PC lá disse algures que  “O bom combate é aquele que é travado em nome de nossos sonhos." É uma frase vazia. Não quer dizer nada. Por isso, cabe lá tudo. Eu ponho lá isto: que enquanto for vivo, estou aqui para discutir. Foi por isso que incentivei os meus alunos a lerem o teu livro (até porque tenho a certeza que terão ainda mais curiosidade em lê-lo depois de saberem que reprovo os teus gostos literários de eleição): para que eles leiam e o possam defender (ou o contrário). Para que eles o possam discutir. Porque para mim, os gostos discutem-se. Não servem eles para outra coisa. O bom combate não é aquele que é travado em nome de nossos sonhos - é aquele que é travado sem que ninguém perca a vida e sem que ninguém leve murros no estômago, é o combate em que todos ficam a ganhar. Espero que a Anabela escreva os seus quatro livros (que, estando eu vivo, os lerei aos quatro, e cá estarei para os comentar) e que continue a usar e a abusar do "cor-de-rosa brilhante". Não prometo que vá gostar. Mas prometo que serei sincero na minha avaliação. Sem murros. Espero que a Anabela faça o mesmo e aceite o combate.

 

As melhores felicidades. A sério.

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publicado por Manuel Anastácio às 21:31
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31 comentários:
De Gerana a 27 de Maio de 2009 às 00:39
Uma diatribe, ou seja, uma crítica acerba, é o melhor que pode acontecer para um escritor estreante. Talvez a pouca idade da escritora não permita que ela perceba isto agora. O elogio fácil pode ser gostoso de ouvir, mas não acrescenta.
Quanto à leitura: todo escritor precisa ter conhecimento da herança literária e para tanto deve buscar o melhor, o que o tempo (o grande e verdadeiro juiz) consagrou.
Em linguagem direta: a leitura de um autor de auto-ajuda como Paulo Coelho não gerará o conhecimento necessário para o caminhar de um escritor. e "o caminho se faz ao caminhar", na tradução livre que faço agora de um verso do poeta espanhol Antonio Machado.
Anabela: é uma brasileira quem diz aqui para você. Paulo Coelho é lido como auto-ajuda no meu país. Se é de conselho para viver melhor que você precisa, então leia Coelho. Se é de conhecimento da verdadeira literatura que você precisa para crescer, não leia Paulo Coelho. leia Machado de Assis, leia Lima Barreto, leia o contemporâneo Rubem Fonseca, leia Cristovão Tezza, mas não se deixe influenciar por Paulo Coelho.
De Anabela Lopes a 27 de Maio de 2009 às 18:34
Gerana,
quero que saiba que eu não espero apenas elogios. Aliás, uma amiga minha já leu o livro e diz que está demasiado infantil, que não faz o género dela, e eu aceitei bem a crítica. No fundo, até concordo com ela. A questão aqui é que não foi uma crítica ao meu livro! Foi uma crítica à minha pessoa, baseada no que leio... ou melhor, em dois dos autores que mencionei. Porque há muitos outros que adoro: J.K. Rowling, Sophia de Mello Breyner, Phillip Pullman (além de outros que mencionei em comentários anteriores)...
Se no seu país Paulo Coelho é lido como livro de auto-ajuda, eu não sei... sei que nunca foi essa a imagem que me foi transmitida. Eu gosto de Paulo Coelho pela maneira como ele liga o enredo ao lado espiritual do ser Humano. Apenas gosto. Nem sequer é o tipo de escrita que pratico (pelo que não me influencia. Eu escrevo da maneira que escrevo, nunca tive qualquer formação, estou a tirar um curso de Biologia e Geologia).
Mas, como diz o professor Manuel, gostos discutem-se... mas também se aceitam. Todos somos diferentes, ou o mundo não teria sentido (é um cliché, mas é verdade).
Mas terei em conta as suas indicações, obrigada.
Anabela
De Anabela Lopes a 27 de Maio de 2009 às 07:56
Sr. Manuel:
Agradeço imenso o tempo que perdeu comigo. Para começar, sim, eu gosto do cor-de-rosa. Costumo vestir-me de cor-de-rosa, o meu blog é cor-de-rosa, até o meu pijama! (que está deliciosamente ornamentado com a irritante Kitty). Mas a verdade é que a minha cor preferida é o azul. Apenas recorro ao cor-de-rosa para demonstrar o meu estado de espírito: sonhadora e feliz. Não me ofende minimamente que me chamem "cor-de-rosa" ou "pink", só não gostei da forma como me catalogou.
Acredito que a minha apresentação não tenha dado a melhor impressão sobre mim e o meu livro, mas é apenas a 3ª apresentação, em que as outras duas praticamente me limitei a agradecer, já que a Editora fez o trabalho por mim. Não ensaiei nada do que disse, não o costumo fazer, o que tiver de dizer digo. Vendo bem, acabei por nem apresentar o meu livro, que tem muito mais do que aquilo que eu disse. É um erro que deverei corrigir.
Mas não quero que pense que leio Danielle Steel e Paulo Coelho apenas pela sua popularidade! Por exemplo, não suporto Margarida Rebelo Pinto, a autora mais lida/vendida em Portugal (e por favor, não me diga que gosta dela, eheh!). Mas ela já tem a fama toda que precisa... agora eu, coitada! Ninguém me conhece, e quando venho à net encontro meia-dúzia de coisas sobre mim (site da Editora, site da minha Universidade, blog de uma amiga), o "murro no estômago" foi inevitável. Mas já me recompus, o seu "cachimbo da paz" foi bem sucedido, acredite.
Agora, por favor não compre o livro apenas pelo meu comentário. Eu sei como a vida custa e dar 15€ para provavelmente não gostar do livro, não é a melhor decisão. Eu nunca pretendi, com o meu comentário, "obrigá-lo" a ler o meu livro. Nem tenho qualquer esperança de que goste dele. Ele está na Biblioteca, pode requisitá-lo. Só não quero que gaste o seu dinheiro por minha causa.
Não pense que sou uma menina fútil e com a vida facilitada só porque já sou "escritora". Eu sou uma pessoa bem simples, nunca acreditei que conseguisse publicar o meu livro... e verdade seja dita, consegui porque os meus pais fizeram o sacrifício, mesmo com a "vida" num tempo instável, de pagar metade do trabalho gráfico, o que deu uma bela quantia.
Pronto, espere que não fique com má ideia de mim, está tudo bem, obrigada pelo tempo que disponibilizou e aceito o "cachimbo da paz" de muito bom grado! Continuamos com a nossa discrepância em termos de autores, mas não os vou defender. Apenas gosto deles.
Fica aqui a promessa de que se um dia o meu livro passar a filme (nunca pensei no assunto e é algo que me parece 99,9999999999% impossível), o Sr. Manuel será o realizador.
Um abraço,
Anabela Lopes
De Manuel Anastácio a 27 de Maio de 2009 às 10:10
Cá espero os 0,0000000001% de probabilidades. Não há mal em gostar de cor-de-rosa. A apresentação do livro não foi má, acredita: basta lembrares-te do aluno que disse que a tua escrita era suave - é meu aluno e sei que ele é sincero no que diz. Só comentei as preferências literárias, nada mais. Vai passando por cá, que voltarei, com certeza, a falar do teu livro. Abraço.
De Maria Helena a 27 de Maio de 2009 às 15:34
Ao contrário do Prof. Manuel li Paulo Coelho - "Diário de um Mago"- em finais dos anos 90, se a memóra não me atraiçoa.
Nunca li nada de Danielle Steell talvez porque não me tenha vindo parar às mãos nenhum livro da dita senhora e, li Dan Brown - "Código da Vinci" - por um misto de curiosidade e necessidade de interpelar as pessoas que junto de mim tomavam a obra como coisa séria (em matéria de Religião, claro está).
Este género de obras só serão perniciosas se nos "encarcerarem" impedindo-nos de levantar os olhos e ver que há uma imensidade de mundo para desvendarmos e participarmos (literariamente falando, claro)
Para se saber o que boa Literatura, importa conhecer a má.
Anabela, já leu Eça.
Agora, aventure-se a ler Camilo e descubra como se podem trincar palavras, fazer desenhos de personagens com palavras, vaguear por corações semehantes ao seu e ao meu, dar uma gargalhada inesperada, cheirar palavras como quem cheira rosas cor-de-rosa.
Ou "atire-se" de cabeça a um Machado de Assis ainda mais acutilante que o nosso Eça (o Machado de Assis é mais da sua cor preferida!)
Mas, se quer um escritor vivinho da Silva vá ter com o Pedro Paixão e/ou Gonçalo M. Tavares e veja como encontra palavras do seu tamanho, a palpitar por cores e a deixarem-se tocar!
O Mundo só faz sentido connosco e a Literatura também! Aproveite o desejo que ela (a Literatura) tem de si e acrescente o seu coração (o nosso, afinal de contas).
E já agora, de vez em quando passe por este blog que também nos acrescenta, acredite.
Ânimo e coragem!
Um beijo.
De Anabela Lopes a 27 de Maio de 2009 às 18:21
Maria Helena:
Muito obrigada pelos conselhos, acredite que os terei em consideração. Tenho os horizontes bem alargados e não sou de ler um só autor (como pareço ter dado a entender). Mais do que Paulo Coelho e Danielle Steel, eu leio muitos autores de fantasia, daí o meu livro ser de fantasia. Apenas gosto de "os ler".
Obrigada,
Anabela
De Maria Helena a 27 de Maio de 2009 às 15:36
Ah!
Anabela, não, não sou Professora!
De Manuel Anastácio a 27 de Maio de 2009 às 21:18
Por favor, não me chamem de "Professor Manuel" nem "Senhor Manuel"... Manuel chega perfeitamente.
De Maria Helena a 27 de Maio de 2009 às 21:42
Pensei que fosse óbvio que o Professor era para contrapor ao Senhor :-))))))
Fica muito mais giro com a espessura do nome Manuel :-))))))
(querem ver que já nem sorriem?!!)
De Anónimo a 27 de Maio de 2009 às 22:46
É caso para dizer Uauuuu... (será que se escreve com h? Seja ou não seja, ainda sou do tempo em que essa expressão não se escrevia, ficava pelo pensamento ou simplesmente saía-nos da boca pra`fora). Caí aqui por mero acaso e heis que não pude evitar: tenho de dizer alguma coisa, porra, tenho mesmo! Não conheço a Anabela Lopes e nunca ouvi falar de "Lua: A Princesa da Floresta Dourada", por isso, não poderei ser imparcial e, consequentemente fazer qualquer comentário a respeito.
Sucede que, não suporto Paulo Coelho. Já me questionei se terá alguma coisa a ver com o facto de não gostar de bolos?! Começo a comer, perdão, a ler e lá vem aquela agonia, enjoo... se fosse um gelado(!)..., perdão um Dostoievski!...
Porém, um hamburger do MacDonald`s... eu não diria não, ou um pacote de batata frita -se eu gosto!...
Mas o meu grande entusiamo, foi mesmo ouvir aqui falar (porque as palavras escritas também têm voz) de "Corin Tellado". Isso ainda existe? Isso eram aqueles romances em quadradinhos com fotografias? Tenho uma ideia e nenhuma certeza. O certo é que, na altura em que eu lia Sartre e nietzsche, intervalava com esses romances. E aqui entre nós, não vá o diabo tecê-las e algum intelectual ouvir e estragar-me a reputação, eu gostava dessa merda!
Bom, indo ao que interessa, se é que interessa , ultimamente tenho-me apercebido que imensas pessoas editam livros com a maior das facilidades. Fui recentemente convidada para duas apresentações de dois livros e fiquei estarrecida! Não posso deixar de me questionar como é que foram possíveis aquelas edições! Pensava eu que seria necessária uma certa genialidade, mas acabo por perceber que outros interesses, para além da verdadeira criação, arte e engenho, estão subjacentes às edicções. Isso entristece-me um pouco. Sempre tive, desde a infãncia, o ensejo de escrever e também a consciência, a percepção, da falta de maturidade ou engenho suficiente. E afinal o que vejo hoje, é que tal não é necessário, basta querer e fazer, haja ou não a capacidade. Hoje, qualquer um escreve, é por isso que nem sinto apetência para ler o que hoje se escreve.
O meu discurso vai longo, e muito ainda por dizer... mas, enfim, fica para outra altura, ou talvez não.

Espinhos.
De Manuel Anastácio a 27 de Maio de 2009 às 22:59
Ora bem. Concordo com muito do que diz. Mas por que razão o anonimato? Um comentário destes merece assinatura. Olarila.
De Gerana a 28 de Maio de 2009 às 03:16
Maria Helena: admiro seus posicionamentos e já trocamos aqui algumas palavras. Só farei uma ressalva: Machado não tem nada de cor-de-rosa, é simplesmente o Mestre da literatura brasileira, com seus contos imbatíveis e romances tal como Dom Casmurro que até hoje levanta debates em seminários sobre a questão eterna, se Capitu traiu ou não traiu, haja vista a sutileza do autor, a ironia fina, a destreza no estilo. Um livro que suscita décadas de discussões é O LIVRO.
Sou como vc, se vou opinar, leio antes para formar a justa opinião, inclusive devido aos “ossos do ofício” e também porque discordo do lema de muitos críticos daqui, “não li, não gostei”. Daí ter lido O alquimista, de PC: maravilhoso exemplo de como NÃO escrever, não tem literariedade, é justamente para os que desejam comprar esperança (pena que dura o tempo da leitura). Tentei ler O código da Vinci, não passei da página 50, foi uma tortura, uma perda de tempo, parei e disse para mim mesma que há todavia tantos livros para ler, não posso gastar meu tempo com esta xaropada hollywoodiana.
O que todos nós estamos escrevendo aqui para Anabela é, ao fim e ao cabo, a mesma coisa. Ainda que Manuel ache que gosto se discute e eu pense que gosto não se discute, o que estamos tentando dizer é: alguém que se pretenda escritor de literatura de valor deve procurar o vasto legado literário desde os gregos (estamos restritos à literatura ocidental) e, se gostar, se amar este grande casarão cheio de janelas que é a literatura ( parafraseando Cortázar), abra a janela da literatura asiática (que surpresa, quão interessante é esta literatura tão diversa). Desculpe, se escrevo sobre literatura, acabo perdendo os freios. Beijão Maria Helena: vamos reler Machado (tão grande quanto Eça), sempre!!! E Gonçalo M. Tavares, sim, e meu Saramago ( é meu, ninguém tasca: Arnaldo Antunes disse que Saramago tem o Brasil, enquanto ele (Antunes) tem o mundo, soube desta?). E Camilo, claro.
De Gerana a 28 de Maio de 2009 às 04:57
Onde se lê Arnaldo Antunes, leia-se Lobo Antunes.
De Anabela Lopes a 28 de Maio de 2009 às 08:33
Agora é a minha vez: Uaaau!!!
1º A minha cor preferida é AZUL, Gerana, portanto, penso que a Maria Helena quando se refere a Machado, dizendo que ele é mais da minha cor preferida, penso que se está a referir ao AZUL. Se não está, então peço desculpa. E relembro... AZUL (está referido num dos meus comentários);
2º Não percebo a insistência em volta do assunto: "Paulo Coelho"... o Professor Manuel (penso que me fica bem colocar um professor ou um Sr. antes do seu nome, demonstra respeito) diz mesmo que uma pessoa pode morrer a qualquer momento, que não devemos perder tempo a ler coisas más... porque insistem em perder tempo e bater na mesma tecla, colocando em todos os posts e comentários o nome de PC? Sinceramente, se eu me deparasse com esta discussão, mais depressa iria ler Paulo Coelho que qualquer um dos outros!
3º Eu já disse que iria ter as vossas indicações em conta, assim que tiver um tempinho. Estou a acabar o curso, tenho muito trabalho para fazer, além de que estou a ler outro livro. Podem parar de me "dizer" que Paulo Coelho é mau, eu entendi a mensagem, agradeço imenso a preocupação com o meu futuro na escrita, mas eu apenas quero seguir com a minha vida;
4º Parece que afinal é hábito julgar as pessoas pelas aparências - senhor/a anónimo: "agradeço" imenso a subtileza das suas palavras e a forma como me estão dirigidas. Proponho-lhe um desafio: se acha que é tão fácil editar um livro, então ponha o que escreve "cá fora". Se fizer isso, diga-me:, pois serei a primeira, ou das primeiras, a ler o livro. E aí eu poderei fazer um juízo sobre o livro, porque o terei LIDO, compreende? Porque é algo engraçado: ainda ninguém aqui leu o meu livro, mas todos comentam os meus gostos! O professor Manuel disse que o ia ler, não sei se o fará ou não, mas eu prefiro que leia e diga: "É mau, péssimo, horrível", mas leu-o, do que dizerem à partida que é mau sem o terem lido. E faço aqui a promessa de que, independentemente do que o professor Manuel escreva aqui neste blog sobre o meu livro, que irei colocar no meu blog, para que todos os meus amigos (cuja maioria gostou do livro) vejam que cada um tem a sua opinião e que deve ser respeitada. Porque eu respeito as vossas opiniões. Só não entendo o ataque à minha pessoa, eu que sou tão pacífica e não pedi nada a ninguém. Sinto-me naquele jogo da cadeira daquele programa ridículo que felizmente deixou de passar, "Big Brother", em que um concorrente se sentava numa cadeira e os outros diziam tudo o que pensavam sobre essa pessoa... se ali mal se conheciam, imagine aqui! É extremamente agradável colocar o seu nome no Google e deparar-se com isto, não é? A velha guerra contra os jovens porque supostamente têm a vida facilitada...
Vá, já me alonguei, tenho coisas a fazer... fiquem bem.

Anabela
De Manuel Anastácio a 28 de Maio de 2009 às 13:26
Não me parece um comentário justo. Mas pronto. E sim. Já comprei o livro e já lhe mandei até um mail com uma questão sobre o mesmo.
De Silvério Salgueiro a 29 de Maio de 2009 às 17:15
Agora é a minha vez: Uaaau !!!

“Menina” Anabela Lopes

O autor deste blog e Gerana escreveram isto:
1- “Mas os gostos podem-se discutir, e devem ser discutidos, porque é isso que torna a literatura, enquanto fenómeno social, divertida.”
2- “Ler é como fazer amigos - corrijo, é fazer amigos - e a maior parte das pessoas prefere amigos de fachada a amigos verdadeiros. Os amigos verdadeiros não são aqueles que dizem aquilo que queremos ouvir, mas aquilo que nos transforma, por dentro, em pessoas melhores”
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Agora é a minha vez: Uaaau !!! <BR><BR>“Menina” Anabela Lopes <BR><BR>O autor deste blog e Gerana escreveram isto: <BR>1- “Mas os gostos podem-se discutir, e devem ser discutidos, porque é isso que torna a literatura, enquanto fenómeno social, divertida.” <BR>2- “Ler é como fazer amigos - corrijo, é fazer amigos - e a maior parte das pessoas prefere amigos de fachada a amigos verdadeiros. Os amigos verdadeiros não são aqueles que dizem aquilo que queremos ouvir, mas aquilo que nos transforma, por dentro, em pessoas melhores” <BR class=incorrect <a name="incorrect">3-“E</A> </A>sermos fiéis a nós mesmos inclui evoluirmos, darmos o braço a torcer. Ouvirmos os outros e aprendermos com os outros. Não devemos, jamais, aceitar murros no estômago. Deves, antes, pelo contrário, ignorar aquilo que for dirigido para ti na forma de ataque pessoal (assim, o murro passa ao lado) e aprender algo com a visão dos outros. Podes até nem concordar com aquele crítico, nem terás de concordar: o importante é que tentes ver o que ele quer dizer. E, depois, aproveita aquilo que te ficar entre as mãos.” <BR class=incorrect <a name="incorrect">4-“Uma</A> </A>diatribe, ou seja, uma crítica acerba, é o melhor que pode acontecer para um escritor estreante. Talvez a pouca idade da escritora não permita que ela perceba isto agora. O elogio fácil pode ser gostoso de ouvir, mas não acrescenta.” <BR><BR>Se leu isto e mesmo assim fez este comentário tão azedo, a “menina” Anabela Lopes poderá saber escrever, mas não sabe com certeza ler. <BR><BR>
De Maria Helena a 28 de Maio de 2009 às 13:55
Nossa, Gerana!!! Machado de Assis cor-de-rosa é que não!!!
Tudo o que ocê escreveu mi dá inveja de não ter sido eu a escrever, cara!!
Como pode ser cor-de-rosa o Amigo que me faz rugas nas bochechas de tanto rir, me enternece como se fora adolescente e me confirma no olhar? Quando pego naquele livro que começa com " Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas" tudo pode acontecer, Gerana!! E aqueloutro que diz assim: "Era uma moça de dezesseis a dezesseteanos, delgada sem magreza, estatura um pouco acima de mediana, talhe elegante e atidude modestas. A face, de um moreno-pêssego, tinha a mesma imperceptível penugem da fruta de que tirava a cor; naquela ocasião tingiam-na uns longes cor-de-rosa, a princípio mais rubros, natural efeito do abalo. As linhas puras e severas do rosto parecia que as traçara a arte religiosa. Se os cabelos, castanhos como os olhos, em vez de dispostos em duas grossas tranças lhe caíssem espalhadamente sobre os ombros, e se os próprios olhos alçassem as pupilas ao céu, disséreis um daqueles anjos adolescentes que traziam a Israel as mensagens do Senhor."?!
Gerana, o que eu gostava, gostava era de a ouvir a si e ao Manuel (mais a Glaucia) a falarem de literatura enquanto eu folheava Drummond de Andrade e bebia um suco!!:-)))))
O meu apreço pelo que a Gerana escreve é, de certeza, em dobro...
Beijo.
Maria Helena
P.S.- Não me leve a mal a brincadeira mas a ver se o Professor Manuel dá uma gargalhada!!!
De Manuel Anastácio a 28 de Maio de 2009 às 18:23
Puxa!... Nunca vi a caixa de comentários tão ao rubro.

E aqui vai a gargalhada:
De Anabela Lopes a 28 de Maio de 2009 às 19:41
Pode agradecer-me a publicidade :P (afinal, é graças a mim que tem tantos comentários neste post)
De Manuel Anastácio a 28 de Maio de 2009 às 23:27
Obrigado.

Dizer de sua justiça

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