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Sábado, 25 de Abril de 2009
Iron Man, Blimunda e o realizador de cinema frustrado

Trailer de Iron Man. Porque não é possível fimar nuvens fechadas. Ou talvez seja.

 

Nunca fui grande leitor de Banda Desenhada, tirando os livros do Asterix (aqueles que ainda tinham a mão do Goscinny) e do Lucky Lucke (e claro, as eternas revistas do Patinhas e do Maurício de Sousa). E nunca me interessei particularmente por super-heróis da Marvel e afins. Para mim, só existe o Batman do Tim Burton (ainda não vi o Cavaleiro das Trevas) e nunca peguei num exemplar que seja de um número do Super-homem. Primeiro, porque sempre me pareceu que estes heróis não eram heróis nenhuns. Eram apenas personagens que se davam ao luxo de fazer o bem porque eram dotadas de poderes que lhes permitia fazê-lo comodamente (e quando estão em apuros por causa do vilão que aparece, não estão mais que a salvar a própria pele). Nisso, a literatura "séria" leva vantagem ao colocar o heroísmo ao nível dos pequenos actos, ao alcance da mão humana. Mas nem sempre. O exemplo que me vem sempre à Memória é o de Blimunda, em "O Memorial do Convento", que, sem o seu poder de translúcida visão, capaz de ver as nuvens fechadas nas hóstias e almas que se esvaem para o éter, jamais seria útil para o Padre Bartolomeu de Gusmão. Há, em "O Memorial do Convento" uma contradição aparente entre o encerramento de Deus em si mesmo e o maravilhoso que permite a elevação dos sonhos ao cume do impossível, ao modo do Deus ex machina do teatro grego. Mas é apenas aparente essa contradição, porque a passarola cai, e o fim é triste para os heróis, restando apenas o sonho, impossível de ser queimado na fogueira da intolerância. O maravilhoso não é, portanto, solução para nada.

 

Mas serve este artigo apenas para registar algumas das impressões de um filme, mediano, é certo, mas que pode perfeitamente tomar o corpo exemplar do que é entretenimento, palavra tão odiada por quem nela vê apenas prazer sem consequências edificantes. Ora, para mim, o entretenimento é sempre uma forma de preencher o tempo com as nuvens fechadas dos nossos deuses, seja rezando terços atrás de terços, seja lendo poesia, seja apanhando borracheiras, seja martirizando a carne, seja vendo filmes, lendo romances, indo à Ópera, ao Ballet, ou jogando Tetris. Em tudo se encerram nuvens em si mesmas. Nas minhas palavras há uma nuvem em que nem o meu mais empático leitor alguma vez poderá vislumbrar outra coisa senão o átomo opaco da mais irredutível solidão.

 

O Iron Man é, inicialmente, um Playboy de nome Tony Stark. Um geniozinho do armamento que é quase fatalmente ferido pelas suas próprias armas, usadas por aqueles que não as deveriam ter. Uma história de super-heróis é sempre uma história maniqueísta, por mais pozinhos de ambiguidade que se ponham no lado dos bons ou dos maus. É preciso sempre separar águas, mesmo que essas águas se desejem, como nas cenas fetichistas da Mulher Gato a lamber a cara ao Homem Morcego, de Burton. E o Iron Man não pode escapar ao maniqueísmo nem ao fetichismo - no primeiro caso, dividindo habilmente e de acordo com o bom senso (alguns diriam politicamente correto) a bondade e a maldade entre americanos e estrangeiros afegãos e, no segundo caso, através do poder que se exterioriza numa segunda pele de liga de titânio. É exemplar, a este nível, a entrada em cena de Pepper (Gwyneth Paltrow) num momento em que Stark (Robert Downey Jr.) tem um diálogo manhoso com o robot que o assiste, como se este estivesse a iniciar-se em alguma prática erótica capaz de escandalizar a submissa e apaixonada assistente, que tenta acalmar dizendo "Sejamos realistas, não foi a pior coisa que me viu a fazer!".

 

Stark, ao ser ferido, perde o coração numa caverna. É como que a síntese e a antítese do Homem de Lata do Feiticeiro de Oz. E, sem coração, reencontra a humanidade que não teve enquanto o tinha e, ainda, transforma o seu coração na arma que terá de enfrentar no final. Uma guerra contra si mesmo, ao bom estilo metafórico-religioso com que eu gosto de ler as coisas mais simples. O super-herói define-se, na sua condição de arrependido, como o mais inteligente (aquele que é capaz do impossível - o técnico a serviço do vilão di-lo claramente: "I'm not Tony Stark" - eu não sou capaz de fazer num laboratório de tecnologia de ponta aquilo que o herói foi capaz de fazer numa caverna com sucata e a ajuda de um cordeiro sacrificial) e o mais corajoso, ao ser capaz de se dar em sacrifício. Mesmo munido de poderes, há que criar um calcanhar de Aquiles que  fragilize o herói, de modo a realçar a sua superioridade moral sobre o vilão. O argumento deste filme fá-lo de forma competente.

 

A Gerana queixa-se de que tenho andado a falar mais de cinema que de literatura. É assim. Talvez porque eu seja mais recontador que criador. Sou mais realizador de cinema que escritor. Dessem-me uma equipa de produção e seria capaz, pelo menos, de fazer algo semelhante a este filme. Uma história. Apenas. Recontada. Já não é pouco.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:37
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4 comentários:
De Maria Helena a 25 de Abril de 2009 às 23:53
E histórias (re)contadas por ti são soluções infinitas para o maravilhoso que contém as palavras.
Como uma colcha bordada onde descobrimos um fio, um ponto, que só se revela quando o sol da tarde inunda o quarto.
Um beijo.
De Manuel Anastácio a 26 de Abril de 2009 às 11:22
Beijos, Maria Helena.
De Artur a 26 de Abril de 2009 às 10:12
Dicas para uma realizaçãozinha: câmara de video com firewire, portátil, microfone, músicas em mp3. Audacity para gravar voz, criar efeitos sonoros e converter mp3 para WAV, moviemaker para capturar video da câmara, anyvideo converter para converter vídeos para mpg, videospin para montar audio+voz+video+legendas+transições+imagens. grupo de alunos para tratar da produção e das coisas chatas (como arrumar e desarrumar os espaços).

Claro, quase me ia esquecendo: uma ideia, para começar.

abraço.
De Manuel Anastácio a 26 de Abril de 2009 às 11:10
Ideias há. O resto poderia-se arranjar. Disponibilidade para isso em específico, já seria mais difícil... Mas não falava de cinema amador... Mas a intenção é boa. ;)

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