Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Relatividade geral

Paradoxo do quadrado desaparecido. Clicar na imagem para os devidos créditos.

 

No Princípio era o Olhar.

Era o Sentir.

Era o dizer enquanto forma de calar.

No Princípio era o Verbo por encarnar.

E o Olhar era Deus,

E havia um Adeus antes do não-tempo acabar.

Era o fim da Inocência.

Antes do Princípio, houve acordar.

E ao Olhar,

E o Olhar era Deus,

Houve um Adeus ao fim por acabar.

 

E ao olhar,

Deus quis apagar as estrelas.

Prevendo do nosso olhar, o inevitável florir,

Inventou o tempo.

Para que quando as olhássemos, pudessem já não existir.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:22
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3 comentários:
De Gerana a 11 de Março de 2009 às 00:44
Já nem sei o que dizer ante uma poesia tão poderosa. Talvez reste mais uma vez repetir que já está mais do que na hora de compor um livro porque, sempre, o livro é o que fica de nossa trajetória.
De Maria Helena a 22 de Março de 2009 às 17:42
Sinto saudades da sua partilha.

Nas margens dos rios imaginando pontes
Quando já só no nosso pensamento deslizavam
Debaixo da sombra das liras
Ali nos pediam ­ em solo alheio _
Que cantássemos canções da nossa terra.
Como poderíamos cantar a nossa infância
Tão longe, num país estranho?
Os salgueiros têm folha persistente
Sob a sombra persistente a mudez
Junto dos rios da Babilónia
Foi a única das nossas alegrias.

Daniel Faria
De Manuel Anastácio a 24 de Março de 2009 às 00:16
Um sorriso basta como resposta. E um post herético para contrabalançar!

Dizer de sua justiça

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