Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Turn the white snow red as strawberries in the summertime

Vídeo de Sean Pecknold, para White Winter Hymnal, Fleet Foxes:

I was following the pack
all swallowed in their coats
with scarves of red tied ’round their throats
to keep their little heads
from fallin’ in the snow
And I turned ’round and there you go
And, Michael, you would fall
and turn the white snow red as strawberries
in the summertime

 

Uma coisa boa das listas que enxameiam jornais e blogues em altura de fim de ano sobre o melhor do ano que passou é isto de descobrir maravilhas em Universos paralelos aos nossos.

 

Foi assim que descobri os Fleet Foxes. Clássicos antes de o serem.

 

Estava eu a recomeçar o ano de trabalho na escola - e como creio que as fichas de avaliação docente ainda não obrigam ninguém a ouvir o Clemente ou o Toy no programa da manhã na televisão sempre acesa da sala de professores - sai-me do mp3, que já passou a ser o meu brinquedo preferido, depois das Deutsche Volkslieder com a Elisabeth Schwarzkopf e o Dietrich Fischer-Dieskau, um som melancólico-pastoral que logo passa a canção de pub sentimental-fatalista: Your Protector, dos referidos. E, entre outras, que flutuam, sempre com a voz como instrumento principal, entre o sorriso infantil e o sarcasmo de uma velhice antecipada, este Hino aos Invernos Brancos com alguma tintura de vermelho, como as vestes do Pai Natal finalmente decodificadas (ou, ainda mais cripticamente codificadas). Chegando a casa, encontro o vídeo que hoje abre as minhas palavritas a que me obrigo, e que posso escrever, que o tempo não me permite pegar em Sebald, na minha avó, no presente para a Maria Helena, nos achigãs e nas processionárias dos artigos que se mantêm em rascunho por publicar. O vídeo é perfeito. A melhor não ilustração possível para aquilo que a canção não diz, mas poderia dizer, como Crocus a despontar em terra gelada.

 

Também gostei do(s) Bon Iver e o For Emma, Forever Ago, mas o som é mais monolítico. Mais adequado, portanto, ao trabalho de escritório que se pede (provavelmente por ignorância, mais que por maldade) hoje em dia à minha classe proffissional. Cada macaco no seu galho. O desencanto não mata, mas mói.

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publicado por Manuel Anastácio às 01:11
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2 comentários:
De Silvério Salgueiro a 6 de Janeiro de 2009 às 21:48
Como teu leitor atento tomo a liberdade de te lembrar que além dos artigos em rascunho que indicas , aguardo por um artigo sobre o professor Batista Reis prometido em "Professores II " e o artigo interrompido junto à casa do "pichas" em Mies e o Tempo. Senão for pedir demais...
De Maria Helena a 6 de Janeiro de 2009 às 23:25
Manuel, o anúncio da sua vontade em me dar um presente é, para mim e desde logo, o primeio presente.
Por isso, como já fui alvo de tão preciosa vontade, peço-lhe que se tranquilize quanto ao segundo presente.
As grandes dores são silenciosas e, neste seu espaço a revelação de que as cumplicidades também o podem ser com tempos férteis de verdade partilhada e praticada é um constante presente que recebo sem me saber merecedora.
Dádivas suas, dívidas minhas.
Obrigada.
Maria Helena

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